Reflexo da religiosidade popular, e do culto do povo micaelense ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, que se iniciou no século XVII, os registos, feitos em sua homenagem, tiveram origem na ilha de São Miguel.
A sua realização mais primitiva inicia-se com uma estampa, emoldurada, da imagem do Senhor Santo Cristo, na maioria dos casos, com a figura da Madre Teresa da Anunciada ajoelhada junto ao altar. Posteriormente, num trabalho árduo de perícia e minúcia, as estampas começam a ser enriquecidas, “reproduzindo-se” a capa e as jóias do Senhor, colocando-se as designadas sanefas e compondo-se o altar. Todos esses elementos são adornados, nomeadamente, com canutilho de prata e/ou de oiro, pedras de várias cores, flores, renda branca e velas. A rodear esses elementos centrais, é elaborada uma composição floral, onde se destaca a preocupação com a estética e a simetria. Numa enorme policromia, sobressaem flores e frutos artificiais, de diversas formas, cores e materiais. Por fim, depois de emoldurados, os registos colocavam-se, tradicionalmente, por cima da cómoda do quarto de casal.
Com o tempo, a tradição dos registos do Senhor ultrapassou as fronteiras da ilha, e hoje, continuam a ser realizados, com arte, dedicação e criatividade, constituindo, em qualquer lugar onde exista um açoriano, objectos com forte simbolismo na devoção popular ao Senhor Santo Cristo dos Milagres.
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